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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Um

Barzinho na Conde Bernadote. Esse é o lugar que costumo frequentar todas as noites. Não tenho certeza, mas acho que o que me torna tão frequente por aqui é a poderosa combinação bebida + gente bonita + papo com os amigos. Apesar de só ter dezessete anos a minha história com o álcool não é recente. Aliás, acho que isso não é uma exclusividade minha. Bastam alguns minutos numa roda de conversas dos alunos lá da escola pra notar que poucos ali não têm ainda algum tipo de envolvimento com bebidas.

Se isso me preocupa? Sinceramente... não! Por mais que meu pai dedique horas do seu dia me alertando sobre isso, ele mesmo assume sua condição de beberrão irrevogavel. Me diz que quem bebe não chega a maturidade - como se eu tivesse interesse em completar quarenta anos - e que a saúde bate à porta, mais cedo ou mais tarde, para cobrar cada gole de destilados e fermentados que sorvemos durante a juventude.

Não é só em relação a bebidas que não dou ouvidos ao meu pai. Ele é o tipo de cara que segue o lema do FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO. Imaginem vocês, o editor chefe de uma das publicações eróticas mais famosas do país impedindo tentando impedir o filho de  saborear toda essa pornografia gratuita. No mínimo incoerente. Ainda mais sendo ele ciente do meu profundo e irrestrito interesse pelo assunto.

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Meu pai acaba de completar 39 anos e desde que me conheço por gente ele trabalha com entretenimento adulto. Há cinco anos, ele e dois amigos dos tempos de faculdade - o Beto e o Mauro - criaram a DIESEL, que hoje é a revista pornô mais lida no país. Por conta disso, minha ampla casa, que também abriga o escritório administrativo da revista, vive povoada pelas gatas mais incríveis que se pode imaginar. É como entrar na área proibida para menores de uma locadora e poder escolher ao seu vídeo favorito, só que em 3D.

Acho que vou acabar trabalhando com eles quando terminar o colégio. Vontade é o que não me falta, apesar do meu pai não gostar da ideia. Ele diz que esse tipo de trabalho não é algo de que se deva sentir orgulho. Eu discordo completamente. Como não vou sentir orgulho daquilo que coloca comida na minha mesa? E no fundo sei que meu pai adora o que faz. Inúmeras foram as vezes que entrei em seu quarto sem bater e flagrei o cara fazendo um test-drive nas modelos que tiram a roupa pra DIESEL.

Em pensar que ele ganha dinheiro pra isso.

Continua...