Quando soube que o diretor brasileiro responsável pelo sucessos de público e crítica TROPA DE ELITE e TROPA DE ELITE 2 foi contratado para dirigir o novo filme do policial robô confesso que pensei que o cara não conseguiria acertar a mão numa produção de tão grande porte. Errei feio!
O novo filme mistura os conceitos de remake e reboot, ao passo que representa bem o primeiro filme da franquia (1987) e, ao mesmo tempo, desloca o eixo da trama para a vida do policial Alex Murphy. Percebe-se um empenho intenso em traduzir de maneira humana as sensações de alguém que passa pelo processo de maquinização.
Padilha acertou ao transformar as dúvidas apontadas sobre as mudanças na base da trama original em enredo da nova trama. Tudo o que foi apontado como um erro nos rumores levantados durante a produção do longa foi apresentado e explicado de maneira bastante convincente como subsídio para a sua versão do Robocop.
Outro grande acerto - e aqui observamos a mão de um diretor que imprimi suas inteligentes preferências ao invés de seguir as demandas apontadas pelo estúdio contratante - foi o forte cunho político presente na história. Mídia, governo, polícia e iniciativa privada postos em rota de colisão (lembram de Tropa de Elite 2? rs .. então). Padilha transportou parte significativa deste universo para uma zona mais tecnológica e global, do ponto de vista do alcance que este filme pode ganhar. Algumas pessoas dizem que ele não saiu da zona de conforto, eu diria que dirigir em Hollywood já é alteração suficiente na zona de conforto de qualquer um.
Mais pontos favoráveis surgem com a escolha de um ator protagonista pouco conhecido do público (Joel Kinnaman). A construção do arquétipo do herói nasce de forma mais original ( ainda mais do que a de um Capitão Nascimento da vida).
Levando em consideração a dificuldade de lidar com uma trama querida por boa parte da audiência e com as intempéries de uma produção de grande porte, o diretor brasileiro pode considerar seu primeiro passo na carreira internacional um movimento muito mais consistente do que era esperado.
Nota: 8.5
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sexta-feira, 7 de março de 2014
domingo, 26 de agosto de 2012
.Uma Volta Quase Completa.
Oi, gente.
Depois de muito tempo sem escrever aqui, achei que o blog já não tinha mais a minha cara e resolvi mudar tudo: layout, aparência, widgets e até mesmo o nome. 'All The Subtle Things' atualiza a proposta que eu iniciei com o 'Dito por Mim' e continuei com o 'A Casa de Saturno'.
A ideia é levar até vocês coisas que aos olhos destreinados podem parecer banais, mas que na realidade significam muito quando fazemos a leitura correta do mundo.
Espero que gostem.
Para essa primeira postagem resolvi contar um pouco sobre o meu dia de ontem (25/08), um sábado bem atípico pra mim que reservou agradáveis surpresas e muito aprendizado.
Passei minha manhã na Urca, filmando um curta metragem experimental. Esse trabalho faz parte do meu processo de maturação artística que consiste em passear por várias vertentes do cinema, afim de construir minha linguagem baseando-me naquilo que absorvo dos grandes ídolos e também das minhas percepções sobre suas obras em contraste com meus próprios desejos fílmicos.

A experiência apesar de cansativa foi muito interessante. O sol da manhã de ontem, há tempos não
visto no Rio de Janeiro, garantiu excelentes imagens que em breve eu compartilho com vocês.
Havia combinado com Tatiana, minha chefe, de pegarmos um cinema. Planejavamos assistir 'To Rome with Love', do Woody Allen, antes que saísse de circuito, mas mudamos de programa. Tatiana ficou sabendo da vista do escultor, fotógrafo e ambientalista Andy Goldsworthy ao Rio de Janeiro e sobre a palestra que ele ministraria no Parque Lage. Decidimos assistir. Depois de uma guerra para conseguirmos a senha, nos acomodamos e finalmente conseguimos ouvir o que o cara tinha a dizer.

Andy é de uma personalidade muito interessante. Um cara que define sua obra como orgânica, no sentido de que faz parte dele. Ele provoca intervenções na natureza e brinca com as imagens que são formadas em suas fotografias. Foi realmente muito interessante, mas seria ainda melhor não fossem os problemas com a tradução simultânea.
Saímos um pouco antes do fim da palestra e ainda dispostos a ir ao cinema. Não havia mais horário plausível para assistirmos o Woody Allen então optamos por '360', novo longa metragem do Fernando Meirelles, em cartaz no Estação Vivo Gávea.
O filme trata essencialmente de relações amorosas. Não seguindo o padrão tradicional americano, mas segundo uma premissa que, pelo menos pra mim, pareceu bem pessoal do Meirelles. São histórias paralelas que se costuram formando uma colcha de retalhos em que a agulha que tece se mostra mais importante do que o produto final.
Na contramão de longas como 'Valentine's Day' e 'New Year's Eve', a trama consegue ser breve em cada um dos episódios apresentados e ainda assim nem um pouco rasa. Os links e as conexões existentes entre uma trama e outra funcionam e as atuações estão dignas de premiação.
Continuo acreditando que faltou alguma coisa. O mesmo aconteceu quando assisti 'Ensaios sobre a Cegueira'. Mas desta vez, tudo pareceu me convencer bem mais. Eu acreditei naqueles personagens, torci por eles, senti o mesmo nervoso por eles. Enfim, a experiência do cinema estava presente.
Muitas ideias construtivas são discutidas nos diálogos entre as personagens, as resoluções ficam longe da noção do certo e do errado, estão na dimensão do imediato, de saber sua vontade aqui, agora, e não perder a oportunidade de arriscar algo completamente novo, ou completamente louco.
Adorei a trilha sonora e a direção de cenas do Meirelles. Mesmo acreditando que o filme não foi literalmente perfeito, admito que foi muito além daquilo que eu esperava.
É como eu disse, não é o filme em si que me cativou, mas sua premissa e a execução que o Meirelles emprestou a ela. É digno de uma noite de sábado.
Depois de muito tempo sem escrever aqui, achei que o blog já não tinha mais a minha cara e resolvi mudar tudo: layout, aparência, widgets e até mesmo o nome. 'All The Subtle Things' atualiza a proposta que eu iniciei com o 'Dito por Mim' e continuei com o 'A Casa de Saturno'.
A ideia é levar até vocês coisas que aos olhos destreinados podem parecer banais, mas que na realidade significam muito quando fazemos a leitura correta do mundo.
Espero que gostem.
Para essa primeira postagem resolvi contar um pouco sobre o meu dia de ontem (25/08), um sábado bem atípico pra mim que reservou agradáveis surpresas e muito aprendizado.
Passei minha manhã na Urca, filmando um curta metragem experimental. Esse trabalho faz parte do meu processo de maturação artística que consiste em passear por várias vertentes do cinema, afim de construir minha linguagem baseando-me naquilo que absorvo dos grandes ídolos e também das minhas percepções sobre suas obras em contraste com meus próprios desejos fílmicos.

A experiência apesar de cansativa foi muito interessante. O sol da manhã de ontem, há tempos não
visto no Rio de Janeiro, garantiu excelentes imagens que em breve eu compartilho com vocês.
Havia combinado com Tatiana, minha chefe, de pegarmos um cinema. Planejavamos assistir 'To Rome with Love', do Woody Allen, antes que saísse de circuito, mas mudamos de programa. Tatiana ficou sabendo da vista do escultor, fotógrafo e ambientalista Andy Goldsworthy ao Rio de Janeiro e sobre a palestra que ele ministraria no Parque Lage. Decidimos assistir. Depois de uma guerra para conseguirmos a senha, nos acomodamos e finalmente conseguimos ouvir o que o cara tinha a dizer.
Andy é de uma personalidade muito interessante. Um cara que define sua obra como orgânica, no sentido de que faz parte dele. Ele provoca intervenções na natureza e brinca com as imagens que são formadas em suas fotografias. Foi realmente muito interessante, mas seria ainda melhor não fossem os problemas com a tradução simultânea.
Saímos um pouco antes do fim da palestra e ainda dispostos a ir ao cinema. Não havia mais horário plausível para assistirmos o Woody Allen então optamos por '360', novo longa metragem do Fernando Meirelles, em cartaz no Estação Vivo Gávea.
O filme trata essencialmente de relações amorosas. Não seguindo o padrão tradicional americano, mas segundo uma premissa que, pelo menos pra mim, pareceu bem pessoal do Meirelles. São histórias paralelas que se costuram formando uma colcha de retalhos em que a agulha que tece se mostra mais importante do que o produto final.
Na contramão de longas como 'Valentine's Day' e 'New Year's Eve', a trama consegue ser breve em cada um dos episódios apresentados e ainda assim nem um pouco rasa. Os links e as conexões existentes entre uma trama e outra funcionam e as atuações estão dignas de premiação.
Continuo acreditando que faltou alguma coisa. O mesmo aconteceu quando assisti 'Ensaios sobre a Cegueira'. Mas desta vez, tudo pareceu me convencer bem mais. Eu acreditei naqueles personagens, torci por eles, senti o mesmo nervoso por eles. Enfim, a experiência do cinema estava presente.
Muitas ideias construtivas são discutidas nos diálogos entre as personagens, as resoluções ficam longe da noção do certo e do errado, estão na dimensão do imediato, de saber sua vontade aqui, agora, e não perder a oportunidade de arriscar algo completamente novo, ou completamente louco.
Adorei a trilha sonora e a direção de cenas do Meirelles. Mesmo acreditando que o filme não foi literalmente perfeito, admito que foi muito além daquilo que eu esperava.
É como eu disse, não é o filme em si que me cativou, mas sua premissa e a execução que o Meirelles emprestou a ela. É digno de uma noite de sábado.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
A Inteligência Coletiva de Pierre Lévy
Autor de ‘O que é o virtual?’ e referência mundial em cultura digital, Pierre Lévy veio ao Brasil para debater com Gilberto Gil os conceitos de inteligência coletiva, hipertexto, mídias digitais, outros temas ligados a cibercultura e os seus respectivos desdobramentos.
A edição de agosto do projeto ‘Oi Cabeça’, realizada no último dia 25, teve como tema “O poder das palavras na cibercultura” e trouxe ao Oi Futuro do Flamengo o pensador e professor da Universidade de Ottawa (Canadá), Pierre Lévy. As curadoras Cristiane Costa e Heloísa Buarque de Hollanda idealizaram uma noite de debates onde Gilberto Gil uniu-se a Lévy na tentativa de definir a importância, os efeitos e o espaço ocupado pelas palavras no ambiente digital.
Uma das observações feitas por Lévy, que visitou o Brasil pela segunda vez, diz respeito à sua teoria da inteligência coletiva (ou cérebro compartilhado), onde todos teriam a capacidade de transpor a lógica dos números que compõe os sistemas de operação tecnológica e estimar significados e/ou inserir emoções nos mesmos. Segundo o francês, o cérebro virtual já existe. Nada mais é do que uma potência da Internet que conhecemos hoje. Uma ferramenta que, quando alcançar a coletividade plena, permitirá que a humanidade “crie asas e possa percorrer e enxergar o virtual em sua totalidade...”, nas palavras de Gil. A reflexão teórica de Lévy somada à interpretação artística de Gilberto Gil garantiu uma série de conclusões acerca dos caminhos da cibercultura.
O momento curioso do evento ficou por conta do desentendimento entre o pensador francês e o pequeno aparelho responsável pela tradução da fala de Gilberto Gil. Um pouco constrangido, Lévy dispensou o utilitário e seguiu tentando compreender o português do músico baiano. Algo que certamente não aconteceria se já estivéssemos em domínio pleno da Inteligência Coletiva.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
Saem os vampiros, entram os anjos
Sussurro (do original Hush Hush) é o romance de estreia da norte americana Becca Fitzpatrick. Aqui no Brasil, distribuído pela Editora Intrínseca.Na trama, Nora - uma adolescente atravessando complicações familiares - conhece Patch – o bad boy da vez – numa aula de biologia. Intrigada pela presença de um rapaz que sabe tudo sobre sua vida, embora nunca tenha feito parte dela, a jovem se vê envolvida numa rede de acontecimentos que ora permeiam o campo da aventura, ora tangenciam o medo. Patch é um anjo caído. Um ser que não é humano, mas cultiva por Nora sentimentos que nem ele sabe explicar.
O grande destaque do livro são as sacadas engraçadas, embora de pouca inteligência, de sua melhor amiga (Vee), que diz saber tudo sobre o sexo oposto e leva a vida de maneira despreocupada.
Muitos comparam Sussurro com Crepúsculo, valendo-se do argumento de que a história de Becca segue a mesma fórmula dos bebedores de sangue de Meyer. Mas, ao contrário de Bella, Edward e cia, Nora, Patch, Vee, Jules, Eliot e a trama que Fitzpatrick desenvolveu para eles pode ser facilmente imaginada numa possível adaptação para o cinema. Sem os tradicionais – e chatos – conflitos psicológicos interpretados por Kristen Stewart na tentativa de salvar uma personagem que já entrou na sétima arte destinada ao sucesso de público e ao insucesso de críticas.
Hush Hush está longe de ser um livro que entre para a lista dos Best Sellers favoritos de qualquer pessoa que possua uma rotina literária que vá além de literatura juvenil. Porém dentro do universo de livros adolescentes pode ser considerado uma boa surpresa.
Quanto ao nome do livro, a explicação vem de um dos poderes do “anjo”. O jovem é capaz de sussurrar (e controlar) a mente de Nora.
Para os leitores Sussurro é uma experiência no mínimo válida. Para Becca, não vai além de um bom começo.
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