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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

. Sobre estradas, encontros, partidas e pitadas de saudade .

algum tempo atrás  muito tempo atrás, postei aqui no blog um texto que fiz em homenagem ao meu pai. Hoje completam seis anos de sua morte ou, como algumas pessoas preferem chamar, partida. Não sei exatamente por que, mas prefiro pontuar como morte mesmo. Pelo menos hoje penso assim. Durante muito tempo recalquei a morte do meu pai. De alguma forma muito louca eu guardava em minha mente a sensação de que ele não havia partido pra sempre, mas que só teria ido fazer uma viagem como aquelas que fazia para São Paulo quando eu ainda era garoto.

Fato é, que já faz algum tempo que finalmente aceitei a minha nova realidade e compreendi que deveria aprender a lidar com essa perda. Ao invés de chorar, penso em todos os anos que pude desfrutar de sua presença ao meu lado, das broncas, elogios e cobranças e até mesmo de seu mal humor. Engraçado isso, mas sim... é possível, extremamente possível, sentir falta até da falta de humor de alguém. Ainda mais de alguém tão importante.

Penso que esta não foi a primeira e nem será a última vez que passarei por uma perda na minha vida. E que mais importante do que o ponto que marca o início ou o fim de uma trajetória como a de um pai e um filho é o caminho que os dois percorreram juntos. Minha relação com meu pai nunca foi das melhores. Mas acredito que no fundo todas as relações humanas são assim. Cheias de altos e baixos, curvas e obstáculos.

"Now we're back to the beginning
It's just a feeling and no one knows yet,
but just because they can't feel it too
doesn't mean that you have to forget
Let your memories grow stronger and stronger
'til they're before your eyes"
 

Hoje, durante a vinda de ônibus para a faculdade, recordei de quando tinha mais ou menos uns 11 anos e meu pai me disse que eu deveria investir nos meus textos. Sempre gostei muito de escrever, embora nem sempre o faça bem, mas ele foi a primeira pessoa a dizer com todas as letras: "Você seria um bom jornalista!".




Meu pai não teve tempo de ver onde cheguei. Não teve tempo na verdade nem de saber se eu iria realmente optar pelo Jornalismo. Mas é engraçado como em várias ocasiões, em sala de aula, lembro de passagens que vivi com ele. Seja num momento de calorosa discussão política, seja num momento de pesquisa e elaboração de matérias. Lembro de perturbá-lo ao máximo para ouvir o novo texto que eu havia escrito. Algo que, à beira dos 11 anos, certamente tratava de aventuras homéricas, batalhas medievais ou coisas do tipo.

Depois de tanto tempo, substituí essas aventuras de criança por textos acadêmicos. A brincadeira virou trabalho, e o gosto amargo que eu sentia ao lembrar de sua ausência transformou-se numa pitada de sal. Está ali, viva, mas já não dói tanto assim. É apenas mais um sabor nessa vida repleta de outros temperos.