segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Quanta gente, quanta alegria...

Numa semana marcada pelo debate envolvendo os polêmicos ‘rolezinhos’, decidi escrever meu primeiro texto pra coluna da PapaGoiaba explicitando minha visão sobre o assunto. Na realidade, não consigo nem chamar as questões que trarei à tona de ‘minha opinião’, pois pra mim elas deveriam ser tão notórias e saltar aos olhos e mentes de todos, que representam muito mais o senso comum de uma sociedade sadia (ok, utopia), do que necessariamente o meu ponto de vista.


Imaginemos um cenário: Jovens, fazendo uso das redes sociais, articulam um evento em local de grande circulação de pessoas com intuito explícito de se encontrarem presencialmente (e o intuito implícito de ocupar um espaço que, por questões históricas, sociais e econômicas, lhes é negado).


Retirando o trecho que acrescentei com o apoio dos parenteses, o que temos é a clássica formatação dos antigos ‘orkontros’, tão famosos nos primeiros anos da última década. Ou ainda dos mais recentes eventos mobilizados via facebook e twitter, os flashmobs.  A diferença aqui está na origem desse movimento: o povo.


Se fossem gregórios e clarices os frequentadores e idealizadores dos rolezinhos, certamente a atitude dos lojistas e dos consumidores seria bem diferente. “Lógico, estes ouvem mpb isolados em suas ilhas (ipods). Já os outros, gritam ao continente que ouvem funk, tudo com o apoio dos autofalantes de seus celulares.. Estes são da casa, frequentadores do BG e dos barzinhos sofisticados da Conde Bernadote. Aqueles, transformam um simples ‘isobar’ em uma festa. Estes, são nossos clientes e usam o elevador social. Aqueles, são (ou deveriam ser) nossos funcionários, deveriam utilizar o elevador de serviço. Como ousam passear em nosso habitat natural?”


Mais uma vez, o neodarwinismo social seleciona quem pode e quem não pode, quem pertence e quem não pertence. Sou pobre e negro e, mesmo sendo pacífico e contra atos de depredação, certamente seria barrado em um dos shoppings que reforçou a segurança pra coibir os rolezinhos. Acho uma pena, pois concordava plenamente com os Mamonas Assassinas…


“Esse tal "Chópis Cêntis"
É muicho legalzinho,
Pra levar as namoradas
E dar uns rolêzinhos…”

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